Urina tipo I

 Sinonímia:

Urinálise de rotina, exame de urina.

Este teste de rastreamento avalia as características físicas da urina; determina a gravidade específica e pH da urina; detecta e mede proteína, glicose, corpos cetônicos, bilirrubina, urobilinogênio, hemoglobina (Hb), nitritos sangüíneos e hemácias; examina o sedimento para células sangüíneas, cilindros, cristais e células epiteliais.

Objetivos

Rastrear urina com relação à doença renal ou do trato urinário.

Auxiliar na detecção de doença metabólica ou sistêmica não relacionada à desordens renais.

Preparação do paciente

Assepsia local, desprezando-se o primeiro jato de urina, colhendo-se o jato médio.

Valores de referência

Método: dosagem enzimática manual ou por automação das proteínas; a glicose é dosada por método enzimático; a bilirrubina é pesquisada pelo reativo de Fouchet; urobilinogênio semi-quantitativo com reativo de Ehrlich; corpos cetônicos são pesquisados com reativo de nitroprussiato. A densidade é determinada por refratometria e, quando necessário, é medida a osmolaridade por crioscopia; a reação é avaliada com tiras reagentes ou pHmetro, quando indicado; tiras reagentes são utilizadas de rotina em todos os casos para pesquisa de esterases, nitritos ou ação peroxidásica (hemoglobina, mioglobina).

Achados normais

A cor normal varia de palha a amarelo-escuro, com odor característico.

Densidade: de 1.005 a 1.035;

pH: de 5,0 a 7,0.;

Proteína: normal até 0,1 gramas por litro;

Glicose, corpos cetônicos, bilirrubina, hemoglobina, nitritos, fungos e parasitas: devem estar ausentes.

Urobilinogênio, cristais, células epiteliais e algumas bactérias: podem estar presentes em pequenas quantidades;

Hemácias e leucócitos: até 10.000 células por mililitro.

Achados anormais

Alterações de cor e/ou odor podem caracterizar muitas doenças. A urina turva pode revelar infecção renal, proteinúria ou refrigeração de amostra. Uma baixa gravidade específica (<1.005) pode indicar diabetes insipidus, necrose tubular aguda ou pielonefrite. A densidade fixa ocorre em glomerulonefrite crônica com lesão renal grave; valores altos (>1.035) ocorrem em síndrome nefrótica, desidratação, choque, glomerulonefrite aguda, insuficiência cardíaca congestiva e insuficiência hepática.

pH alcalino: síndrome de Fanconi, infecção do trato urinário ou alcalose;

pH ácido: tuberculose renal, pirexia, fenilcetonúria, alcaptonúria e acidose.

Proteinúria: sugere insuficiência ou doença renal ou mieloma múltiplo;

Glicosúria: diabetes mellitus;

Cetonúria: estados de inanição, após diarréia ou vômitos ou em diabetes mellitus.

A bilirrubina na urina pode ocorrer em doença hepática, resultante de icterícia obstrutiva ou drogas hepatotóxicas ou toxinas, de fibrose dos canalículos biliares ou de hepatite viral. O urobilinogênio aumentado pode indicar lesão hepática, doença hemolítica ou infecção grave; o urobilinogênio diminuído pode ocorrer quando há obstrução biliar, doença inflamatória, terapia antimicrobiana, diarréia grave ou insuficiência renal. A hematúria pode resultar de condições tais como infecção, obstrução, inflamação, trauma, tumores, glomerulonefrite e hipertensão renal. Um aumento nos glóbulos brancos usualmente implica infecção do trato urinário. Aumento de células tubulares renais sugere degeneração tubular renal. Cilindros em excesso indicam doença renal. Cristais em excesso sugerem hipercalcemia. Bactérias, leveduras e parasitas em sedimento urinário refletem infecção do trato genitourinário ou contaminação da genitália externa.

Exames correlatos

Uréia, creatinina, clearance de creatinina, cultura de urina.