As crioglobulinas são proteínas séricas anormais que
se precipitam a baixas temperaturas laboratoriais (4ºC) e se redissolvem após
serem aquecidas. A sua presença no sangue (crioglobulinemia) é usualmente
associada com doença imunológica, porém pode também ocorrer sem
imunopatologia conhecida. Se os pacientes com crioglobulinemia forem submetidos
ao frio, eles podem sentir sintomas semelhantes ao de Raynaud (dor, cianose e
frieza de dedos e artelhos), que tipicamente resultam de precipitação de
crioglobulinas em partes mais frias do corpo. Em alguns pacientes, por exemplo,
as crioglobulinas podem precipitar-se a temperaturas de até 30ºC; tais
temperaturas são possíveis em alguns vasos sangüíneos periféricos.
O teste de crioglobulina
envolve refrigeração de amostras de soro a 4ºC por pelo menos 72 horas e a
observação de formação de um precipitado reversível pelo calor. Tal
precipitado demanda mais estudo por imunoeletroforese ou difusão dupla para
identificar os componentes da crioglobulina.
Objetivo
· Detectar
crioglobulinemia em pacientes com sintomas vasculares semelhantes aos de Raynaud.
Preparo do paciente
Jejum de 4 horas.
Valores de referência
Método:
dosagem de proteínas pelo método de
Lowry, caracterização imunoquímica das globulinas por imunoeletroforese em
gel de agarose, com anti-soros específicos anti-IgG, anti-IgA, anti-IgM,
anti-Kappa e anti-Lambda.
Normalmente, o soro é
negativo para crioglobulinas.
Achados anormais
A presença de crioglobulinas no sangue confirma a
crioglobulinemia, porém nem sempre indica uma doença clínica.
Crioglobulina
monoclonal tipo I:
Um nível sérico acima de 5 mg/ml é associado com leucemia linfocítica crônica,
mieloma e macroglobulinemia de Waldenström.
Crioglobulina
mista tipo II:
Um nível sérico acima de 1 mg/ml é
associado com crioglobulinemia essencial mista, artrite reumatóide e síndrome
de Sjögren.
Crioglobulina
policlonal mista tipo II: Um nível
sérico abaixo de 1 mg/ml (50% abaixo de 80 microg/ml) é associado com doenças
do tipo infecção por citomegalovírus, hepatite, endocardite infecciosa,
lepra, lupus eritematoso, mononucleose, glomerulonefrite pós-estreptocócica,
cirrose biliar primária e artrite reumatóide.
Exames correlatos
Imunoeletroforese, fator reumatóide, fator antinúcleo.